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Uma publicação da Plau
  • , Estudo de caso
  • 02 de abr. de 2026

Fontes brasileiras, para o mundo

Sem perder nosso sotaque tipográfico

Fazer tipografia pop, começando pelo Brasil. Esse é o nosso posicionamento como estúdio de design e fundição tipográfica. A frase tem alguns pontos importantes para nós. Em primeiro lugar, a ideia de “pop” carrega dois significados: queremos fazer letras cujo desenho seja pop, expressivo e dançante, ao mesmo tempo em que buscamos popularizar esse assunto.

Em segundo lugar, queremos fazer isso no Brasil. Até pouco tempo atrás, não era muito fácil encontrar boas informações sobre tipografia em português. No mínimo, elas eram escassas, fruto do trabalho de pioneiros que começaram essa conversa lá atrás, mesmo sem um grande público com quem dialogar.

Há ainda um terceiro ponto na frase, que é o assunto deste texto: a ideia de que queremos começar pelo Brasil. Começar, mas não parar por aí. Ao mesmo tempo em que podemos trazer identidade local para a tipografia, falar sobre ela de um jeito brasileiro e referenciar nossa cultura em cada projeto, esse é um tema que circula muito bem de maneira global. Afinal, não existem muitos estúdios especializados no mundo, e o público para isso também segue em formação, embora já tenha crescido bastante nos últimos anos.

Prova disso é que, em algum momento do passado, fizemos alguns posts diretamente em inglês, imaginando que essa era a única forma de encontrar um público grande o suficiente para gerar conversa. Depois seguimos na direção contrária: focamos totalmente no público brasileiro e também contribuímos para formá-lo. Percebemos que havia muita gente no Brasil disposta a falar sobre tipografia. E ainda há espaço para alcançar muitas outras.

Ao mesmo tempo, de forma natural, fomos nos reaproximando do mercado internacional, principalmente porque temos tido a felicidade de ser chamados para desenvolver projetos fora do país. Ou seja, falar português atraiu o público brasileiro, mas não afastou potenciais clientes internacionais. O melhor dos mundos.

Outras iniciativas nesse sentido também já estão engatilhadas ou em andamento. Rodrigo Saiani, sócio-fundador da Plau, foi recentemente eleito para o conselho da ATypI, organização tipográfica internacional que promove o conhecimento sobre tipografia ao redor do mundo. Lá, ele vai contribuir com uma perspectiva brasileira sobre modos de fazer fontes e trazer de volta aprendizados do cenário global.

Já há alguns anos, também somos membros do quadro de foundries da TypeNetwork, que é ao mesmo tempo um marketplace e uma agência tipográfica. Foi através dela que chegamos a alguns dos nossos clientes internacionais.

Pretendemos participar de cada vez mais eventos internacionais e também levar nosso conteúdo para o inglês (com as publicações regulares em português ainda como prioridade, é claro). Acreditamos ter chegado a um nível de maturidade suficiente para conversar com esses dois públicos, buscando sempre uma integração entre eles.

Veja alguns dos nossos projetos feitos para clientes internacionais:

Kellogg’s

Em parceria com a XYZ Type, desenvolvemos uma fonte baseada no logo da Kellogg’s. Sim, a querida marca dos Sucrilhos e o tigre simpático que já fez parte da vida de todo brasileiro.

Trabalhar com um logotipo tão icônico como esse ajuda e dificulta o processo ao mesmo tempo. De um lado, ele tem letras muito identificáveis e proprietárias, que emprestam para a fonte muita identidade também. Por outro, é difícil expandir com consistência um lettering tão coeso. Não faltaram rascunhos para conseguirmos proteger a personalidade do logotipo, passando ela para uma tipografia completa!

Leia o case completo no site da XYZ Type (em inglês).

TBWA Grotesk

Quando falamos que queremos fazer tipografia pop, não dá para ficar muito mais pop do que isso. Uma das fontes mais experimentais que já fizemos foi para a TBWA, agência global de publicidade responsável por algumas das marcas mais icônicas do mundo e criadora da metodologia Disruption®.

Para acompanhar a transformação da empresa em uma plataforma de experiência total de marca, desenvolvemos a TBWA Grotesk®, uma família tipográfica exclusiva pensada para gerar impacto em todas as aplicações da nova identidade.

Mas boa parte dessa disrupção não está apenas no desenho das letras, e sim em um software customizado — o Font Disruptor, desenvolvido por André Burnier — que adiciona efeitos dinâmicos à tipografia e amplia radicalmente suas possibilidades expressivas, dando forma visual ao espírito inovador da TBWA.

Veja o case completo no nosso site.

ACHS

A Achs é tradicional instituição chilena de saúde e segurança ocupacional que passou por uma expansão para se tornar também uma seguradora médica. O propósito era fazer do Chile o país que melhor cuida de seus trabalhadores e suas famílias. Para acompanhar essa transformação, a Interbrand liderou um projeto de rebranding complexo, identificando na tipografia um elemento-chave para comunicar abertura, cuidado e contemporaneidade.

Fomos convidados a colaborar tanto no desenho quanto na estratégia das fontes, em parceria com a equipe da Interbrand. O resultado foram duas famílias tipográficas completas — Achs Nueva Serif e Achs Nueva Sans — que compartilham a mesma estrutura e combinam um tom acolhedor e expressivo com bom desempenho em texto, tornando-se parte essencial da nova arquitetura da marca.

Veja o case completo no nosso site.

NotCo

Quando uma marca tem a ideia de “lógica inesperada” como seu posicionamento, já podemos esperar um tratamento interessante de design. É o caso da NotCo, empresa chilena que ganhou o mundo com sua tecnologia de alimentos vegetais. Para acompanhar sua nova fase, fomos convidados a desenvolver uma tipografia custom que colocasse em prática a unexpected logic da marca.

Partindo de referências históricas como a Kabel e combinando com elementos do universo tecnológico da marca, criamos a NotFont: uma fonte com personalidade própria, que traduz essa lógica inesperada sem recorrer a uma disrupção agressiva.

Veja o case completo no nosso site.

Paramount+

Em 2020, a Paramount deu um passo importante ao entrar no mercado de streaming com o lançamento do Paramount Plus. Em um momento em que o consumo de entretenimento mudava rapidamente, a marca precisava evoluir, e, junto com ela, sua linguagem visual. O projeto de identidade foi liderado pela loyalkaspar, com colaboração da Type Network e desenvolvimento tipográfico inicial por Richard Lipton. A Plau entrou como parceira para expandir esse sistema, ao lado da Lipton Letter Design.

Ficamos responsáveis por desenvolver a versão condensada da Peak Sans — um trabalho que vai muito além de simplesmente “apertar” uma fonte. Condensar um desenho exige repensar proporções, ajustar curvas, redesenhar terminais e equilibrar tensões para que tudo continue funcionando com naturalidade.

Ao longo do processo, trabalhamos em diálogo constante com a equipe, buscando preservar a intenção original da família tipográfica enquanto ampliávamos suas possibilidades. Foi um daqueles projetos em que a tipografia precisa performar sem roubar a cena, como um bom ator que você vê mandando bem em vários filmes, mesmo quando não lembra o nome.

Veja o case completo no nosso site.

Esses e outros projetos ajudam a nos posicionar como um player internacional no mercado tipográfico. Em todos eles, colaboramos com agências que lideram o processo de estratégia. No Brasil, também desenvolvemos esse modelo de parcerias, embora, em alguns casos, executemos projetos de ponta a ponta. É ótimo conseguir exportar essa forma de trabalho, mostrando que a tipografia pode ser um ativo importantíssimo dentro de projetos mais amplos. E tudo isso sem abrir mão da nossa forma de fazer letras. Porque fazer tipografia pop inclui o mundo inteiro!

Veja todos os nossos cases completos no site.

Fontes utilizadas nessa página
  • Vinila Regular
  • Guanabara Display Condensed
  • Dupincel S Regular
  • Odisseia Regular
Artigo escrito por

Valter Costa

Valter Costa é pesquisador e designer. Ele dirige 
o conteúdo da Plau, sendo o responsável principal por todas as entregas que envolvam a produção de textos no estúdio. Se dedica especialmente ao Entrelinha, publicação de conteúdo da Plau, para 
o qual escreve semanalmente.