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Uma publicação da Plau
  • Tipografia, Estudo de caso
  • 03 de ago. de 2022

O processo de desenho da Modet

O designer Matheus Fragoso compartilha com a gente todos os altos e baixos na criação da sua primeira fonte

Clique aqui para testar e licenciar a Modet!

O processo de desenho da Modet serviu como uma espécie de plataforma de aprendizado, um 'curso' de desenho tipográfico e foi um grande desafio.

Eu comecei a desenhar a Modet em 2015. Naquele ano, aconteceu um dos maiores eventos da tipografia mundial, a AtypI. A cada ano, o evento acontece em uma cidade diferente do mundo e, para a minha sorte, em 2015 aconteceu em São Paulo. Eu já gostava e admirava a tipografia e o desenho de tipos (letras), e o evento veio para me confirmar isso. Claro que, naquele momento, eu não sabia ainda como seria o desenho da Modet, mas eu tinha algumas ideias. Eu sabia que queria desenhar uma fonte humanista e queria que tivesse boa legibilidade em tamanhos pequenos e em telas. Queria que fosse versátil o suficiente para ser usada das mais variadas formas. 

As fontes humanistas são um estilo tipográfico do qual gosto muito. Uma fonte humanista como a Modet tem algumas características marcantes: o contraste é baixo, o que torna a fonte quase monolinear. Você consegue perceber a influência da mão, do gesto, da caligrafia nos traços desse tipo de fonte. O espaço interno costuma ser mais aberto em certas letras como o 'a', o 'c' e o 'e', por exemplo, o que pode ajudar na legibilidade em tamanhos menores.

Durante o processo, errei muito, comecei de novo, tentei, errei de novo e assim fui aprendendo. Nos desenhos iniciais, a Modet era bem mais estreita e o espacejamento entre as letras não era muito grande. Demorou um tempo até eu entender que usar um espacejamento maior, mais arejado, poderia ajudar a melhorar a aparência da fonte. Os designers de tipo não desenham apenas as partes, digamos, "escuras" das letras, os traços em si. Eles desenham também as contra-formas; a parte "branca" ou vazia das letras. E o tal espacejamento entre as letras é tão importante quanto.

Durante o processo, errei muito, comecei de novo, tentei, errei de novo e assim fui aprendendo. Nos desenhos iniciais, a Modet era bem mais estreita e o espacejamento entre as letras não era muito grande. Demorou um tempo até eu entender que usar um espacejamento maior, mais arejado, poderia ajudar a melhorar a aparência da fonte.

Ouvindo os primeiros comentários e sugestões sobre a Modet na AtypI 2015

E por falar em legibilidade, incluí na Modet alguns glifos alternativos, que são substituições com desenhos diferentes para o mesmo glifo. Por exemplo, o desenho padrão da letra 'l' para a Modet vem com o 'l' com a cauda, o que facilita distinguir entre letras como o 'l', o 'I' maiúsculo. Mas também é possível usar o 'l' sem a cauda. Há o 'g' de dois andares, que tem uma estrutura de desenho mais complexa, mas há também o 'g' "escolar", que é aquele desenho mais cursivo e mais simples que conhecemos. Eu incluí esses glifos alternativos para que o designer que usa-la em seus projetos tenha mais versatilidade. Espero que gostem!

Para tornar a Modet uma realidade, contei com a ajuda de muita gente. A comunidade de desenhos de tipo é um grupo de pessoas muito especiais. As pessoas se ajudam, quase sempre você pode contar com o olhar do outro se precisar que façam uma crítica construtiva ou tirar alguma dúvida. Não posso deixar de agradecer a gente muito talentosa e generosa que me ajudou com a minha fonte.

Quero agradecer ao Rodrigo Saiani, que é uma pessoa incrível, talentosa e com um coração gigante. Rodrigo estava lá desde o início, incentivando e não deixando que eu desistisse. Ele não abandonou esse projeto em nenhum momento. Ele foi o cara que acreditou, que estava lá quando eu precisava. Seus feedbacks foram valiosos e sem o Rodrigo, esse projeto não teria se tornado realidade. Qualquer agradecimento ao Rodrigo será insuficiente. O Cacá também é uma pessoa incrível e talentosa. Me deu inúmeros feedbacks e tirou várias dúvidas que eu tinha. Quero agradecer a todos da Plau que fizeram parte desse projeto e acreditaram nele. O designer de tipos Marconi Lima também foi uma pessoa que me deu inúmeras dicas e feedbacks. Sou eternamente grato a ele. Também quero agradecer ao designer de tipos David Jonathan Ross, que tem uma paciência infindável, além de entender muito sobre desenho de tipos. Ele é de uma generosidade incrível. Todas essas pessoas me ajudaram, me apoiaram e deram aquela força.

Fontes utilizadas nessa página
  • Vinila Regular
  • Guanabara Display Condensed
  • Dupincel S Regular
  • Odisseia Regular
Autor