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Uma publicação da Plau
  • Design, Estudo de caso
  • 11 de out. de 2024

A tendência é: marcas que não existem

Será que nossa forma de apresentar projetos de design está afetando a própria forma como criamos eles?

Esta semana, iniciamos um papo sobre tendências de 2024-2025, tema que vai voltar novamente quando publicarmos o estudo completo do Type Trends. Mas não é só la na frente que o assunto vai voltar. Hoje também.

Aqui no Substack, vamos tentar colocar em prática um esquema de publicação que aborda uma temática semanal, com um post principal e um post adicional que desenvolve o assunto através de recomendações de leitura ou insights rápidos (esse é o caso do post que você está lendo agora).

Isso significa que agora vamos continuar falando de tendência. Hoje, porém, de um jeito diferente. Dessa vez, o ponto não é falar sobre recursos visuais que estão na moda, mas uma tendência que no que diz respeito à própria forma como abordamos a criação desses recursos visuais (para branding, especificamente).

“Uma marca só existe se estiver em uma ecobag”

A provocação vem de um texto da Elizabeth Goodspeed, desginer e escritora. O artigo foi publicado – em inglês – no portal It's Nice That, com o título original “A brand only exists if it's on a tote”. Nele, Goodspeed que analisa o poder que os mockups ganharam no mercado de branding ao longo dos anos.

Leia o texto aqui.

Traduzimos o primeiro parágrafo:

“Cerca de 15 anos atrás, a coisa mais legal que você poderia fazer com um poster que você projetou era tirar uma foto segurando-o na frente do seu rosto. Se você não lembra dessa época, talvez lembre de outra parecida: cartões de visita flutuando no espaço, papelaria em sombra dramática ou objetos cercados por nuvens. Mockups como esses são parte integral da caixa de ferramentas dos designers há muito tempo, mas o papel e influência deles evoluiu muito na última década. Acompanhamos um crescimento na variedade e complexidade dos mockups, com designers buscando inovar e criar cenários cada vez mais impactantes – e reformular as normas do mercado no meio do caminho. Essa mudança não muda só a forma como apresentamos nosso trabalho, mas também redefine fundamentalmente nossa definição de produção de design.”

O ponto da autora é que, muitas vezes, o case de um projeto construído com mockupsganha uma atenção que vai muito além da produção “real” da marca.

A forma de apresentar o projeto superaria até as ambições do próprio cliente, que talvez nem se importe tanto assim com a perfeição do mockup e nem tenha a intenção de produzir todas as peças que os mockups apresentam.

Isso cria, na visão dela, um cenário em que os projetos de design são feitos uns para os outros, ou seja, os designers criam para os outros designers que verão o case no Behance.

Outro exemplo curioso citado por ela é que os produtores de mockups criam projetos fictícios complexos para apresentá-los também. Nesse caso, não é o mockup que é usado para vender design, mas o design usado para vender mockup.

A coleção de mockups “Call my barista” (Bendito Mockup) tem seu próprio branding.

A reflexão é ótima e faz todo sentido, mas também poderíamos fazer o seguinte contraponto: a apresentação do case apresenta o potencial máximo do design da marca; o mundo dos sonhos dela. É natural que o dia a dia da operação não seja tão perfeito, mas o case cria um horizonte a ser seguido.

Sem contar que a qualidade atual dos mockups permite que estúdios e clientes pequenos – que provavelmente não poderiam se dar ao luxo de fazer sessões fotográficas com os produtos – possam se destacar, em plataformas de design, perto de projetos de maior orçamento.

Mas sim, é certo que há situações em que o case cria um mundo à parte, quase que perdendo qualquer conexão com a marca que apresenta.

A Tereza Bettinardi, designer e fundadora da editora Clube do Livro do Design, resumiu perfeitamente a questão, no seu Twitter, em pouquíssimas palavras.

Temos certeza que esse tema é capaz de despertar os sentimentos mais ardentes dos designers, então queremos muito que você nos conte o que acha: concorda? discorda? como você usa mockups no dia a dia? Comente!

Fontes utilizadas nessa página
  • Vinila Regular
  • Guanabara Display Condensed
  • Dupincel S Regular
  • Odisseia Regular
Autor